Rebeldias do Mês – novembro/2018

Stan Lee deixa este mundo em momento de crise editorial

Stan Lee foi pioneiro em projetos transmídia, como a série “GI Joe” (“Comandos em Ação”, no Brasil), em que personagens foram desenvolvidas ao mesmo tempo para brinquedo e quadrinhos.

Editor, roteirista e personagem de muito sucesso, Stan Lee faleceu a 12 de novembro. Criador de mundos complexos na Marvel, assistiu à transformação de suas marcas do quadrinho impresso em brinquedos e cinema.

Muitas das homenagens póstumas a Stan Lee envolvem suas participações especiais em filmes (https://en.wikipedia.org/wiki/Stan_Lee_cameos). A Marvel é um emblema da cultura transmídia, seus filmes de super-herói ditam cultura e mercado (os filmes desse universo lançados em cinema desde 2008 já passam de vinte). Enquanto isso, seu ramo de quadrinhos perde um pouco da força nos últimos anos, especialmente no papel  (https://www.hollywoodreporter.com/heat-vision/best-selling-comics-2017-1070490).

A crise no mercado editorial é geral, não se restringe aos quadrinhos. Papel encadernado já tem pouco apelo hoje em dia, seja em forma de revista (como no caso da editora Abril, https://exame.abril.com.br/negocios/como-fica-abril-recuperacao-judicial/), seja no mercado livreiro (https://cultura.estadao.com.br/blogs/babel/em-crise-livraria-saraiva-fecha-20-lojas/). Isso obviamente abala nichos de mercado como os de jogos, que sustentam cada vez menos revistas em papel (a publicação internacional de “detonados” Prima Games é uma das baixas recentes, http://www.egmnow.com/articles/news/strategy-guide-publisher-prima-games-is-shutting-down/).

Consequentemente, resta a meios eletrônicos o papel não somente de rede colaborativa, mas também a responsabilidade como fonte confiável de conhecimento.  Portais como IGN e Game Repórter fazem esse papel para o jornalismo cotidiano; outros, como o portal Gamasutra e a revista acadêmica Game Studies, apresentam conteúdo mais aprofundado. Este informe mensal é uma tentativa de conectar em rede esses planos, sem recair no caos informacional. Assim, seguem abaixo notas selecionadas sobre a rede lúdica que nos cerca, bem como um artigo exclusivo de Carlos Seabra sobre baralho, ampliando ainda mais nossos horizontes.

Que revista queremos?

A Rede Brasileira de Estudos Lúdicos está em busca de um formato para suas publicações. O desafio é apresentar o legado de cinco anos de Fórum Acadêmico de Estudos Lúdicos (http://rebel.org.br/pt/fael/historico-do-fael) sem perder o contato com o restante da produção da REBEL (nossas oficinas, publicações nas redes sociais, a produção do Grupo Avançado de Estudos Lúdicos, este informe  mensal). Propostas serão discutidas na nossa assembleia de 24 de novembro.

Balanço cultural do V Fórum Acadêmico de Estudos Lúdicos

O V FAEL foi mais uma vez um evento de alta qualidade e verdadeira diversidade. As três mesas-redondas trouxeram um debate plural sobre ludificação, educação, design e muitas outras disciplinas. As mesas foram transmitidas ao vivo e seus vídeos estão disponíveis:

Mesa 1 –  Ludificação como distopia. Com Ivelise Fortim e Fábio Fernandes. Mediação de Sergio Basbaum

Mesa 2 – Alunos que jogam bem – com Bryan Silva, Fabio Tola, Douglas de Oliveira, Victor Sancassani e mediação de José Ricardo Grilo

Mesa 3 – Brinquedo Tangível. Com Sergio Halaban, Renato Caetano e Tainá Felix. Mediação de Marta Giardini

Entre as dezenas de trabalhos submetidos livre e gratuitamente pela comunidade no Consurso Rebeldias, foram selecionadas e expostas 17 criações,  incluindo brinquedos, histórias em quadrinhos, jogos eletrônicos e jogos de tabuleiro.  No espaço expositivo o público jogou esses e outros jogos, como Pokémon Estampas Ilustradas. Oito artigos foram apresentados nas sessões técnicas e duas oficinas foram realizadas. Destaques do evento podem ser vistos em nossa comunidade no Facebook. Temos uma retrospectiva (a partir de https://www.facebook.com/rebeludicos/posts/664084267320010 ) e outros textos marcados com #FAEL5.

Vencedores do Concurso Rebeldias

categoria História em Quadrinhos:

RGB-deadpixel – Davi Augusto Patrício Rodrigues

categoria  Jogos de Sociedade:

Die die DIE! – Romulo Marques e Carlos Couto

categoria  Jogos Eletrônicos:

Sword of Yohh – Rômulo Gomes, Otávio Imon, Cinthya Kikuchi e Lucas Stannis

Parabéns!


Jogos de cartas

Carlos Seabra

Os jogos de tabuleiro estão em franca ascensão no interesse das novas gerações, com produtos bastante inovadores. Nessa safra surgem cada vez mais jogos de cartas especiais também. Mas os tradicionais jogos de baralho “comum” (de 52 cartas, 4 naipes), que continuam a ser bastante jogados no Brasil, muitas vezes não são lembrados. Além dos mais tradicionais jogos, que praticamente todos conhecem, como Buraco, Truco, Pôquer, Oito Maluco e outros, há interessantíssimos e pouco conhecidos jogos que podem ser jogados com o baralho comum e trazer bastante desafio e diversão.

Do século X a.C. até hoje, as cartas percorreram uma trajetória fascinante. Nasceram no Oriente, como simples tiras de papel que representavam ossos, conchas e pedras usadas em rituais de adivinhação, e daí evoluíram para dezenas de tipos diferentes. No século XIV, as cartas tornaram-se conhecidas na Europa, onde começaram a assumir a forma do baralho moderno. A partir do século XVI, “distribuídas” pelos europeus, elas se difundiram por todo o mundo. Assim, as cartas se tornaram um fenómeno definitivamente universal, um elemento de ligação entre as culturas de todos os povos.

Linguagem simples
Um baralho comum usando personagens Marvel

Atualmente, os jogos de cartas estão entre os mais populares no mundo inteiro. Isso é devido, em grande parte, aos

símbolos simples e eficazes do baralho moderno. Quando as cartas chegaram à Europa, trazidas pelos árabes, seus naipes eram taças, moedas, espadas e bastões; posteriormente os naipes evoluíram para copas, ouros, espadas e paus.

Essa simplificação possibilitou a difusão universal do baralho e, com isso, o surgimento de novos jogos e a adaptação de outros muito antigos. Todavia, alguns tipos de cartas mantiveram sua forma tradicional estreitamente ligada a um jogo específico, como o Mah Jong e o Hanafuda, no Oriente. Na Europa, as cartas de Tarô também conservaram seus símbolos originais, ligados à função adivinhatória do baralho.

Brilhantes possibilidades

Ao contrário do que pensam alguns, e embora existam jogadores profissionais, os jogos de cartas não estão necessariamente ligados a fins lucrativos. Na verdade, eles são tão educativos e divertidos quanto os melhores jogos de tabuleiro. Alguns deles, mais simples, constituem a melhor forma de apresentar o maravilhoso mundo dos jogos às crianças. Outros são emocionantes, criativos e intelectualmente brilhantes, como o Bridge, chamado de o “Xadrez das cartas”, e o Elêusis, criado em 1956 e considerado “uma revolução no mundo dos jogos”.

Os jogos de baralho merecem ser explorados, por isso cito outros exemplos: Burro, Canastra, Casino, Copas, Crapô, Cribbage, Dominó de Cartas, Duvido, Escopa, Eucre, Gin Rummy, Jubileu, King, Klondike, Koziri, Mau Mau, Memória, Pif-paf, Pirâmide, Sueca, Vinte e Um, Whist. Afinal, jogos de cartas são mais uma forma (barata) de satisfazer a “fome” lúdica do homem e aprimorar sua inteligência.

Calendário

A exposição Quadrinhos movimenta o universo geek

De 14.nov a 31.mar.2019 – Quadrinhos – Entre os mais de 600 itens da exposição, no Museu da Imagem e do Som, estão raridades como a primeira aparição de Luluzinha, (em 1935, no Saturday Evening Post) e a edição número 1 de O Pato Donald (1950). Curadoria de Ivan Freitas da Costa. MIS (Avenida Europa, 158, São Paulo). Ingresso: R$ 14. http://www.mis-sp.org.br/exposicoes/emcartaz/2319/quadrinhos

16.nov – BIG MIX Jam 4Diversity – Esta game jam focada na diversidade faz parte da programação do festival Mix Brasil. Inclui uma mostra de jogos eletrônicos. Na Escola Britânica de Artes (Rua Mourato Coelho, 1404, São Paulo). Grátis. Mais informações: https://www.facebook.com/events/410669082798772

24.nov – Assembleia ordinária da REBEL – Propostas para o Fórum Acadêmico de Estudos Lúdicos e outras atividades da REBEL serão discutidas nesta reunião aberta. Associados têm direito a voto. Ajude nossa associação a continuar o trabalho pagando sua anuidade ou doando qualquer valor!  Confira o edital de convocação. A partir das 10h na PUC-SP (rua Marquês de Paranaguá, 111, prédio 2, São Paulo, SP).

24-25.nov – Virada Nerd – O evento, organizado pelas editoras Devir, JBC, Mino e Jambô, propõe atividades lúdicas, como stand-up comedy e uma experiência de escotismo, no contexto da exposição Quadrinhos. MIS (Avenida Europa, 158, São Paulo). Mais informações em https://www.facebook.com/events/390761554793033

 

#RebeldiasDoMes Número 8.

Participe: facebook.com/rebeludicos

Se ainda não é associado: rebel.org.br/rebele-se

Rebeldias do Mês – outubro/2018

O #FAEL5 já é o maior

Alguns dos artefatos que serão exibidos no V FAEL

A quinta edição do Fórum Acadêmico de Estudos Lúdicos é maior que as anteriores graças aos inscritos e convidados especiais que ajudaram a construir um recorde de modalidades. Os eventos incluem três mesas-redondas, duas oficinas, duas sessões técnicas, apresentações artísticas, um torneio de baralho e o Concurso Rebeldias aumentado. Desta vez, o concurso selecionou trabalhos em três categorias para exposição. Além disso, haverá mais exposição hors-concours este ano, com brinquedos selecionados.
O evento é gratuito e acondece de 18 a 20 de outubro na PUC-SP da rua Marquês de Paranaguá, 111, São Paulo, SP.
Ao final dos textos abaixo, sugerimos eventos do FAEL relacionados a cada assunto. A programação completa está em rebel.org.br/fael

Se já sabe o que pretende ver e ainda não se inscreveu, este é o endereço: https://goo.gl/forms/ckfn4R1DjOv5lbWU2

No FAEL:

Se não conhece a diretoria da REBEL, aproveite o evento para bater um papo! E reserve a data: nossa assembleia ordinária será a 24 de novembro, no período da manhã. Durante o FAEL teremos a confirmação do local!

 

Jogo de paródia política é investigado por racismo e injúria

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios abriu inquérito para investigar o jogo Bolsomito 2k18, que gerou polêmica por apresentar comicamente a violência contra minorias, frequentemente associada ao discurso de candidatos da política atual.
O inquérito invoca entre outras normas o Código Penal e o Marco Civil da Internet para enquadrar o jogo, o que põe novamente em debate os limites do humor e a responsabilidade ética dos desenvolvedores.
Os ânimos acirrados no processo eleitoral de 2018 influenciaram muitas criações lúdicas, provocações hilárias como a página Meu político de estimação, que faz a crônica dos acontecimentos recentes em bem-humorada linguagem de mangá. Aproveitando a oportunidade para discutir ludicamente política, a diretora da REBEL Pá Falcão apresentou ao público em setembro seu jogo de sociedade Letícia, que aborda a representatividade na democracia.

Recomendação de vídeo

Toda mídia é políticahttps://www.youtube.com/watch?v=ryz_lA3Dn4c
A série Extra Credits faz vídeos curtos, portanto superficiais, mas são cheios de informação. Neste episódio, o autor discute se é possível “extrair” a política dos jogos. Como apresenta didaticamente este vídeo, é impossível separar cultura de política. Os exemplos com Capitão América, Final Fantasy VII, Star Trek e outros situam muito bem seus argumentos.

No FAEL:

A mesa-redonda “Ludificação como distopia” (18.out., 19h) trará uma forte discussão sobre o mundo que queremos para a sociedade (no caso, por meio de exemplos do que não queremos). Não é disso que trata a política?

 

Quebra da Telltale Games: O que aprendemos?

Felipe Almeida

Em 21 de setembro, foi anunciada a demissão da maioria dos funcionários da desenvolvedora de jogos Telltale Games, famosa por criações como The Walking Dead e The Wolf Among Us. A desenvolvedora produz jogos com uma narrativa emocional e complexa, que forçam o jogador a ponderar suas escolhas com cuidado.

Derradeiro lançamento da franquia Walking Dead pela Telltale

É uma notícia triste para todos os apreciadores de narrativas lúdicas, mas o que profissionais que trabalham na área de jogos podem aprender com esse acontecimento? Entre outras coisas, podemos aprender sobre assumir riscos nessa indústria. Isso porque a Telltale Games entrou em processo de falência, em parte, pelos riscos que decidiu assumir e pelos riscos que não assumiu.

O primeiro jogo da série The Walking Dead (2012) foi um sucesso sem precedentes que colocou a empresa no radar de jogadores no mundo todo. Tamanho foi o sucesso que a empresa nunca mudou a fórmula para os jogos seguintes. Ao todo, foram 34 jogos em cerca de 14 anos de existência da empresa, sem mudar sua estratégia.

Como uma empresa pode publicar tantos jogos?

Essa velocidade de produção veio às custas do sobrecarregamento de funcionários, que precisavam madrugar para atender as demandas da empresa. A empresa também investiu milhões de dólares na aquisição de licenças para produzir jogos de franquias famosas como Game of Thrones, Jurassic Park e Batman. Esses são os riscos que a Telltale Games decidiu assumir. Em resumo, a Telltale Games cometeu os seguintes erros:

  • Nunca inovou a fórmula que usa em seus jogos.
  • Sobrecarregou seus funcionários.
  • Focou em quantidade de jogos em vez de qualidade.
  • Investiu na aquisição de licenças em vez de inovações lúdicas.

Ninguém pode acusar a empresa de não produzir jogos de excelente qualidade, mas após 34 jogos a velha fórmula estava desgastada. Investir recursos na aquisição de licenças de franquias famosas em vez de fomentar um ambiente de qualidade e inovação para seus funcionários foi o mais grave erro feito pela empresa.

No FAEL:

Os jogos com ênfase na narrativa são destaques da sessão técnica 1 (19.out, 13h), com “‘Choose your own adventure’: uma proposta de periodização para uma breve história dos gamebooks (1930 a 1990)”, de Allan Macedo de Novaes, e o relato de desenvolvimento do LARP “Apocalipse Zero”, de Christian Alexsander Martins.

Lançamento

Modelo utilizado em”River Attack”

River Attack
Immersive Games

A versão beta do jogo, que paga tributo a River Raid, estará aberta no Google Play no dia 16 de outubro. Mais em
https://www.facebook.com/immersivegame

No FAEL:

A Exposição Rebeldias tem lançamentos de desenvolvedores independentes como os da Immersive. Venha ver, jogar e conhecer criadores de 18 a 20 de outubro!

O jogo Amora, do estúdio Game e Arte, é um dos selecionados para a exposição durante o V FAEL

 

 

 

Calendário

Que tal montar uma caravana joe depois do FAEL?

18.out – No FAEL: a exposição começa de manhã e a programação continua à tarde com oficina (vagas limitadas), mas a abertura oficial acontece às 18h30, antes da primeira mesa-redonda.

19.out – No FAEL: a primeira sessão técnica acontece às 13h.

20.out – No FAEL: a programação começa às 9h e termina 16h, com o anúncio dos vencedores do Concurso Rebeldias!

20.out – Convenção Brajoes 2018 – Fãs de Comandos em Ação, GI Joe etc. podem sair juntos do FAEL rumo ao encontro de colecionadores. Será na livraria Omniverse – Rua Teodureto Souto, 624/630 – Cambuci, São Paulo.

23.out – Reescola: jogos de tabuleiro em sala de aula – Luiz Carneiro, colaborador do Games for Change América Latina, faz oficina para professores que desejam desenvolver jogos de tabuleiro por conta própria ou com o apoio dos alunos. Inscrições em https://www.cursos.lobocc.com.br/pagina-de-produto/reescola-jogos-de-tabuleiro-em-sala-de-aula

 

#RebeldiasDoMes Número 7.

Participe: facebook.com/rebeludicos

Se ainda não é associado: rebel.org.br/rebele-se